No mesmo dia em que se iniciou a Paris Fashion Week, outro evento de moda agitou a capital francesa. Na segunda-feira (28/09), o The Bridge, o espaço sob a Pont Alexandre III, recebeu criadores brasileiros e outros nomes internacionais para mais uma edição do Runway Vision, um evento dedicado a mostrar marcas autorais e novos talentos.
O projeto, criado há dois anos em Paris pelos brasileiros Marina Spindola e Anderson Vescah, passou recentemente pelo Rio de Janeiro, depois de ter sido realizado em Lisboa e Milão. Essa nova edição parisiense me pareceu ainda mais madura e afinada – um grande passo rumo à maturidade da moda brasileira nas passarelas internacionais.
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O The Bridge foi palco de um dos momentos mais marcantes de John Galliano na Maison Margiela, a apresentação da coleção Artisanal 2024. Nesta semana, o local, que já foi uma casa noturna e hoje é um espaço de eventos, foi decorado com esculturas em macramê de Lia Khey, com curadoria da Casa Mais 55, para receber os desfiles de Caio Mota, Nalimo, Marc Andrade e Raphael Brunet. Além das etiquetas brasileiras, apresentaram-se também as marcas Kultrshop, da sudanesa Sara Hamid, Davii, do brasileiro radicado em Portugal Fabiano Fernandez, e a francesa Galbert, do designer Théo Galbert.
A passarela de Day Molina, da Nalimo, levou a Paris a representatividade dos povos originários brasileiros. Não estamos falando de uma moda temática, e sim de roupas com uma certa alma, com identidade, ancestralidade, território e um respiro de conexão com a contemporaneidade.

Foto: Divulgação
Nalimo.
O trabalho de Caio Mota, conhecido por assinar os figurinos fantásticos de Marina Sena, traz um futurismo vintage – falo de filmes como Blade Runner, que, no passado, nos mostravam o futuro que vivemos hoje. Sua joalheria e adornos são cinematográficos e desejáveis.


Foto: Divulgação
Caio Mota.
Marc Andrade partiu de técnicas e referências brasileiras para apresentar um trabalho impecável de crochê, conchas e as famosas misturas que o artesanato brasileiro tanto sabe fazer e que hoje são referência em grandes passarelas.


Foto: Divulgação
Marc Andrade.
Já Raphael Brunet e seu projeto Cansado da Internet fez um ativismo bonito, requintado, casando leveza e coragem em frases que falam de fé, em colocar o pé no chão: “Rio de Janeiro não é Disney”.


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Raphael Brunet.
Do lado das marcas internacionais, a Kultrshop mostrou uma mistura interessante de streetwear com um toque requintado, a exemplo dos vestidos em veludo e detalhes em couro.


Foto: Divulgação
Kultrshop.
Já o trabalho da Davii, nome artístico de Fabiano Fernandez, trouxe a estética do tridimensional com um trabalho em tecidos leves e transparentes.


Foto: Divulgação
Davii.
Por fim, a Galbert, fundada pelo designer Théo Galbert, apresentou uma passagem entre a moda mais básica e a alta-costura: destaque para o tailleur branco com detalhe em plumas, um clássico francês bem executado.


Foto: Divulgação
Galbert.
A beleza das apresentações levou a assinatura C.Kamura, com o time de Portugal sob a direção de Otávio Lameiro.
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