O Klasmē Group amplia sua presença no mercado brasileiro de beleza com a chegada de seis novas marcas asiáticas, apresentada durante a Beauty Fair 2026. Florasis, O.TWO.O, GOGO TALES, VEECCI, Skinever e Tang Dynasty se somam à Klasmē e à japonesa Miya Kea, que já faziam parte do negócio, levando a oito o número de marcas asiáticas reunidas pelo grupo no país. A maquiagem concentra a maior parte das novidades, mas o portfólio também avança em skincare e haircare.
O Klasmē Group nasceu a partir da experiência da Klasmē, marca de maquiagem asiática que atua no Brasil desde 2018, e passou a reunir diferentes marcas de beleza sob uma mesma estrutura. Além das oito marcas asiáticas, a empresa também trabalha no país com marcas nacionais como Ana Hickmann Beauty e Fast Glam. Em entrevista ao Negócios de Beleza, Paula Rosso, brand manager do grupo, detalhou a estratégia para o mercado brasileiro.
O grupo não divulga, neste momento, o valor investido nem dados de faturamento da atuação no Brasil. Segundo Rosso, a estratégia é construir uma presença de longo prazo no país, com ampliação gradual do portfólio e da distribuição.

Portfólio concentrado em maquiagem
Entre as seis marcas que chegam ao Brasil, quatro estão diretamente ligadas à maquiagem: Florasis, O.TWO.O, GOGO TALES e VEECCI. A Skinever amplia a oferta para skincare, enquanto a Tang Dynasty acrescenta haircare ao portfólio. A seleção, segundo o grupo, considera proposta de valor, inovação, potencial comercial e adequação às expectativas do consumidor brasileiro. A lógica é reunir marcas com propostas complementares, em vez de concentrar a expansão em um único nome. “Queremos mostrar que a beleza asiática não é uma categoria única e que existem diferentes formulações e conceitos por trás dessas marcas”, afirma Paula Rosso.

C-Beauty encontra um Brasil familiarizado com o K-Beauty
A expansão da Klasmē acontece em um mercado brasileiro que vem ampliando a entrada de produtos de beleza asiáticos. Segundo a ABIHPEC, as importações brasileiras de produtos de higiene e beleza provenientes da China passaram de US$ 157,7 milhões em 2024 para US$ 220,3 milhões em 2025; enquanto os vindos da Coreia do Sul chegaram a US$ 32,3 milhões entre janeiro e novembro de 2025, alta de 49,6% em relação ao mesmo período de 2024.
É nesse avanço da presença asiática no mercado brasileiro que o grupo aposta para ampliar o espaço da C-Beauty, a beleza de origem chinesa. Para Rosso, o consumidor brasileiro já demonstra interesse crescente por essas marcas, principalmente por produtos associados à inovação, tecnologia e novas experiências de uso, mas ainda existe espaço para ampliar o conhecimento sobre a diversidade de marcas e propostas dentro desse universo.
No caso específico da beleza chinesa, a executiva aponta a combinação entre referências culturais e formulações contemporâneas como um dos elementos de diferenciação. “Existe uma combinação interessante entre tradição e inovação, com marcas que traduzem referências culturais em produtos contemporâneos e altamente conectados às tendências de consumo”, diz Rosso.
O grupo também prevê adaptar fórmulas às preferências do consumidor brasileiro, em uma estratégia que, segundo a empresa, vai além da simples importação de tendências asiáticas.
Distribuição física e digital
Para levar as marcas ao consumidor, o Klasmē Group estrutura uma estratégia de distribuição multicanal. A empresa prevê combinar canais próprios, parceiros de e-commerce e marketplaces, com as escolhas definidas de acordo com a estratégia de cada marca e a busca por parceiros considerados aderentes a cada proposta.
No varejo físico, já estão em funcionamento um espaço no Mata Lab, no Complexo Matarazzo, e um quiosque no Catarina Fashion Outlet, em São Roque, ambos no estado de São Paulo. Os pontos têm foco em experimentação e descoberta dos produtos.
Para apoiar a venda, a empresa afirma que pretende trabalhar com treinamento, apresentação de produtos, experimentação e comunicação, incluindo estratégias de influência. A proposta é ampliar o conhecimento sobre as marcas e facilitar a jornada do consumidor até a compra. “O objetivo é ampliar a disponibilidade dos produtos e, ao mesmo tempo, garantir que a experiência de marca seja preservada em cada ponto de contato com o consumidor”, afirma Rosso.
Da demanda existente à construção de uma categoria
A estratégia do grupo combina a tentativa de aproveitar um interesse que já existe pela beleza asiática com a construção de conhecimento sobre marcas e categorias ainda menos familiares ao consumidor brasileiro. “Já existe no Brasil um consumidor interessado em referências de beleza asiática, mas ainda há muito espaço para ampliar esse interesse e apresentar novas marcas, categorias e tecnologias”, afirma Rosso. Para a executiva, o trabalho passa por transformar o interesse inicial em conhecimento e experimentação. “Transformar curiosidade em conhecimento e conhecimento em experimentação”, diz.
Embora a maquiagem concentre boa parte da expansão inicial, o plano vai além da categoria, segundo o Klasmē. A estratégia inclui skincare, haircare e wellness, com a construção gradual de um portfólio mais amplo de beleza asiática. A proposta é apresentar as diferenças entre as marcas, estimular a experimentação e ampliar a disponibilidade dos produtos no mercado brasileiro.
O que ainda está em aberto
A expansão amplia a oferta de marcas asiáticas disponíveis ao varejo brasileiro, mas parte da estratégia comercial ainda não foi detalhada pelo grupo. A empresa não informa o valor do investimento, faturamento, metas de pontos de venda ou uma relação de parceiros comerciais.
Até o momento, estão definidos a ampliação do portfólio, a combinação de canais físicos e digitais e a intenção de trabalhar diferentes categorias de beleza asiática. A evolução da iniciativa deverá mostrar em que medida a aposta na C-Beauty consegue transformar o interesse do consumidor em presença no varejo e giro de produtos.

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